Otites na clínica veterinária de pequenos animais

Assim como as dermatites, as otites são grandes desafios enfrentados pelos médicos veterinários, representando até 75% de todos os casos atendidos nos consultórios. Elas são classificadas em 3 tipos: externa, média ou interna. A otite externa traz efeitos sobre o pavilhão auricular, nos canais horizontais e verticais, e na parede externa do tímpano; a otite média atinge a parede média da membrana timpânica, a bulha, os ossículos auditivos e a tuba auditiva; e a otite interna atinge a cóclea, os canais semicirculares e os nervos do sistema auditivo.

Ela pode ser uma doença recorrente, principalmente em determinadas raças, como o Cocker Spaniel, pelas orelhas caídas que causam abafamento e aumento da umidade local. Outros fatores predisponentes são a conformação anormal do canal externo, como a presença excessiva de pelos e estenoses, doenças sistêmicas anteriores que alterem o microambiente da região e a resposta imune, pólipos nasofaríngeos e neoplasias, reações medicamentosas, e irritações relacionadas a limpeza agressiva. Além do Cocker Spaniel, os Buldogues, Basset Hounds, Labradores e Golden Retrievers também são consideradas raças predispostas.

Os microrganismos mais associados as otites são Staphylococcus pseudintermedius, Pseudomonas aeruginosa, Enterococcus spp., Proteus mirabilis, Streptococcus spp., Corynebacterium spp., Escherichia coli, Malassezia pachydermatis e Candida albicans, Além disso, outras causas para as otites envolvem doenças parasitárias, como a demodicose, atopia, hipersensibilidades alimentares, alergias de contato, endocrinopatias, traumatismos e acidentes envolvendo corpos estranhos.

A fisiopatologia da doença envolve um aumento de secreções lipídicas na região, a tumefação do tímpano seguida de aumento da pressão na orelha média, o espessamento da derme e epiderme, a redução na largura do canal auditivo, e a calcificação da cartilagem auricular. As otites são altamente prejudiciais no bem-estar de nossos pacientes e na sua relação com os tutores. Os animais podem apresentar perda parcial da audição ou surdez total, exsudar secreções com mal cheiro, além de manifestar dor e outros sinais neurológicos, como nistagmo, desvio da cabeça ipsilateral, ataxia, anorexia, vômito, relutância para mover a cabeça, paresia ou paralisia das pálpebras, dos lábios, da língua e das narinas, produção reduzida de lágrimas, miose, ptose, protrusão da membrana nictitante e enoftalmia.

Um correto diagnóstico é imprescindível para direcionar a conduta do médico veterinário. A otite é uma doença multifatorial, portanto cabe ao médico veterinário uma avaliação completa do quadro clínico do seu paciente. Um tratamento específico, sem a utilização de fármacos desnecessários, pode garantir o bem-estar do paciente, além da satisfação de seu tutor.

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