A otite externa (OE) canina é uma condição amplamente diagnosticada em clínicas veterinárias globalmente. Embora não seja um habitante normal da orelha canina, a bactéria Pseudomonas aeruginosa é frequentemente isolada em casos de OE crônica, tornando o tratamento um desafio considerável.
Principais Insights para Clínicos Veterinários:
Desafios no Tratamento: A Pseudomonas aeruginosa é particularmente difícil de erradicar devido à sua capacidade de formar biofilmes, que estão presentes em 40-95% dos isolados de OE e protegem a bactéria dos antimicrobianos e do sistema imunológico. Além disso, a P. aeruginosa possui resistência antimicrobiana intrínseca e frequentemente adquire resistência a antibióticos de importância clínica, como fluoroquinolonas (por exemplo, enrofloxacina, marbofloxacina) e aminoglicosídeos (por exemplo, gentamicina), com a resistência a muitas dessas drogas aumentando ao longo do tempo.
Compreensão Etiológica (Sistema PSPP): Para um tratamento eficaz, é crucial utilizar a estrutura clínica PSPP (fatores primários, secundários, perpetuantes e predisponentes). A alergia, especialmente a dermatite atópica canina, é um fator primário comum que leva à inflamação e disbiose, tornando o ouvido mais suscetível à colonização por Pseudomonas. Fatores perpetuantes, como alterações teciduais (por exemplo, hiperplasia do canal, estenose) e otite média, podem tornar a infecção irreversível medicalmente e exigir intervenção cirúrgica.
Estratégias Terapêuticas: A terapia antimicrobiana tópica é geralmente preferida devido às altas concentrações locais alcançadas. Contudo, a presença de pus e biofilmes pode reduzir a eficácia dos antimicrobianos. Limpadores auriculares, especialmente aqueles contendo Tris-EDTA, são adjuvantes importantes; eles removem detritos, auxiliam na função dos antimicrobianos e podem desorganizar biofilmes, melhorando a suscetibilidade aos antibióticos.
Alternativas Promissoras: Dada a crescente resistência, a pesquisa explora alternativas. Adjuvantes como N-acetilcisteína e sulfadiazina de prata, fitoterápicos, terapia fotodinâmica antimicrobiana e, notavelmente, a terapia com bacteriófagos, têm demonstrado resultados promissores em estudos in vitro e in vivo, oferecendo esperança para casos recalcitrantes.
Fontes de Infecção e Prevenção: P. aeruginosa é onipresente em ambientes aquáticos e solo, e pode ser isolada de ambientes domésticos (por exemplo, ralos, bebedouros de água) e do ambiente veterinário (por exemplo, otoscópios), ressaltando a importância de práticas de higiene rigorosas para prevenir reinfecções e contaminação cruzada.

Fernando Bittencourt Luciano
Farmacêutico e doutor em Ciências dos Alimentos, com uma trajetória que une ciência, inovação e empreendedorismo. Atualmente, é professor no Programa de Pós Graduação em Ciência Animal PUCPR e sócio na Wesen Green. Sua pesquisa é voltada para o uso de compostos naturais com ação antimicrobiana e anti-inflamatória, buscando desenvolver soluções inovadoras e seguras para promover a saúde e o bem-estar de cães e gatos.



