As piodermites superficiais em cães referem-se a infecções bacterianas envolvendo a epiderme e o epitélio folicular. As infecções bacterianas mais frequentes na espécie canina são as que acometem os folículos pilosos e são também chamadas de foliculites bacterianas. Essas infecções são geralmente causadas pelo Staphylococcus pseudintermedius, um patógeno oportunista. No entanto, esse agente, raramente foi isolado de humanos saudáveis.
Nos últimos anos, isolados de S. pseudintermedius de humanos têm sido associados ao contato frequente com seus cães, de modo que essa espécie tem sido considerada um importante patógeno com potencial zoonótico.
Múltiplos mecanismos de resistência a antibióticos gradualmente desenvolvidos por bactérias tornam o tratamento de infecções mais desafiador nos dias atuais. Esses genes de resistência a antimicrobianos
podem ser transferidos dos microrganismos de cães para outros estafilococos e outros gêneros bacterianos em humanos.
Este estudo teve como objetivo investigar as espécies bacterianas que causam piodermite superficial canina e caracterizar os perfis de resistência a antibióticos e genes de resistência a antimicrobianos de isolados de S. pseudintermedius. Além disso, por meio de questionários, foram avaliados os possíveis fatores de risco
causadores da colonização de S. pseudintermedius em proprietários.
No total, foram isoladas 65 bactérias de cães com piodermite superficial, sendo 47 da espécie S. pseudintermedius (72,3%), 12 de outras espécies de Staphylococcus (18,5%), 4 outras bactérias Gram-positivas (6,2%) e 2 bactérias Gram-negativas (3,1%). Quando a amostragem foi realizada nos proprietários dos animais, apenas 5 cepas de S. pseudintermedius (4,4%) foram isoladas de um total 60 amostras coletadas.
Fig. 1 – Isolamento e identificação bacteriana de cães com piodermite superficial (A) e de seus
donos (B)
Cães que foram submetidos a tratamento antimicrobiano no último mês tiveram risco significativamente maior de infecções por Staphylococcus meticilina-resistente (MRSP). Não houve associação significativa entre S. pseudintermedius isolados de cães com S. pseudintermedius isolados dos proprietários porém “possuir três ou mais cães” e “permitir que o cão lamba a face do tutor” podem ser potenciais fatores de risco para carreamento de cepas de S. pseudintermedius em proprietários.
De acordo com os resultados, um total de 47 cepas de S. pseudintermedius foram isoladas das lesões cutâneas de cães, dentre as quais 16 cepas (34%) carregavam o gene mecA (gene indicativo de MRSP). A proporção de S. pseudintermedius mecA-positivo resistente aos 10 antibióticos testados nesta pesquisa foi significativamente maior do que a de cepas mecA-negativas. Curiosamente, as 16 cepas mecA-positivas eram todas cepas multirresistentes, indicando que a presença de mecA estava significativamente correlacionada com características multirresistentes de S. pseudintermedius.
Embora a probabilidade de S. pseudintermedius em cães ser transmitido para humanos e causar uma infecção direta não seja alta, é provável que S. pseudintermedius troque segmentos de genes resistentes a drogas
com outros estafilococos após a transmissão para humanos. Mais estudos sobre fatores de risco devem ser estudados no futuro.
Assim, é altamente recomendado que o uso de antibióticos em piodermites superficiais seja indicado somente em casos onde a terapia tópica com moléculas antissépticas/antimicrobianas não seja eficaz.
Também é importante que o veterinário busque por fórmulas suaves que não agridam a pele já inflamada desses animais e que não causem potenciais disbioses.
Referência completa e link para download do artigo original:
Laiet al. 2022. https://www.mdpi.com/2306-7381/9/7/306