Imunoterapia Alérgeno-específica Reduz Uso de Medicamentos em Gatos com Síndrome Atópica Cutânea Felina

O estudo A retrospective, multicentric controlled study of the effect of specific allergen immunotherapy on medication needs in cats with atopic skin syndrome, publicado na revista Veterinary Dermatology, investigou os resultados do teste intradérmico de alérgenos (IDT) e os efeitos da imunoterapia alérgeno-específica (ASIT) na necessidade de medicamentos em 158 gatos diagnosticados com síndrome atópica cutânea felina (FASS). O diagnóstico de FASS exige uma abordagem rigorosa, com exclusão cuidadosa de outras condições pruriginosas, como ectoparasitas, hipersensibilidade alimentar e infecções. A ASIT é considerada o único tratamento etiológico para a FASS, uma vez que os alérgenos causadores sejam identificados, geralmente por meio de IDT ou testes sorológicos.

O IDT foi interpretável em 153 gatos (97%), revelando reações positivas em 65% dos casos. A polissensibilização foi mais frequente do que a monossensibilização. Os clínicos devem estar atentos ao fato de que os ácaros da poeira domiciliar (74%) e os ácaros de armazenamento (44%) foram as sensibilizações mais comuns observadas. Especificamente, os alérgenos de ácaros mais prevalentes foram Dermatophagoides farinae (67%), Acarus siro (32%), Tyrophagus putrescentiae (27%) e Dermatophagoides pteronyssinus (27%). Embora o IDT ajude a personalizar os protocolos de ASIT, ele não deve ser usado isoladamente para diagnosticar FASS.

A ASIT foi iniciada em gatos com resultados positivos no IDT. Em uma comparação controlada ao longo de um ano, a ASIT esteve associada a uma redução significativa (≥ 30%) na necessidade de medicamentos em 74% (31 de 42) dos gatos tratados, em comparação com apenas 28% (10 de 36) no grupo controle que não recebeu ASIT. Esse efeito poupador de medicamentos foi estatisticamente significativo nos gatos tratados. Além disso, foi possível suspender completamente o uso de medicamentos em 26% dos gatos tratados com ASIT após 1 ano. Esses achados sugerem que a ASIT é uma opção terapêutica valiosa para o manejo da FASS, oferecendo um benefício relevante na redução da necessidade de medicações sintomáticas.

Fernando Bittencourt Luciano

Farmacêutico e doutor em Ciências dos Alimentos, com uma trajetória que une ciência, inovação e empreendedorismo. Atualmente, é professor no Programa de Pós Graduação em Ciência Animal PUCPR e sócio na Wesen Green. Sua pesquisa é voltada para o uso de compostos naturais com ação antimicrobiana e anti-inflamatória, buscando desenvolver soluções inovadoras e seguras para promover a saúde e o bem-estar de cães e gatos.

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