Fatores Ambientais e Dermatite Atópica Canina

Tem-se observado um aumento progressivo das alergias em animais de estimação, com destaque para a dermatite atópica canina (DAC), um quadro que acompanha a tendência já verificada em humanos. A DAC, um problema multifatorial com forte componente genético, tem visto um aumento na prevalência que não pode ser explicado apenas pela genética, mas sim pela complexa interação de fatores ambientais (o “exposoma”).
As mudanças nas condições de vida — especialmente a vida urbana moderna — têm um impacto poderoso na saúde. O estilo de vida urbano é associado a maior exposição à poluição do ar, produtos químicos, plásticos, dietas comerciais ultraprocessadas e hábitos sedentários. Em contraste, viver em ambientes rurais, com maior exposição a uma microbiota diversa, é um fator protetor. A exposição a poluentes e produtos químicos danifica as barreiras epiteliais, promovendo inflamação crônica e aumentando a penetração de alérgenos e a sensibilização. Além disso, o estresse, frequentemente espelhado pelos cães a partir de seus donos, também contribui para a inflamação. O conceito “Saúde Única” (One Health) reconhece que a saúde de humanos e animais está interligada e que os fatores ambientais podem ser revertidos por meio de mudanças no estilo de vida.

Os veterinários têm um papel crucial na educação dos responsáveis sobre as influências ambientais modificáveis para prevenir ou reduzir a progressão da DAC. As principais recomendações baseadas nas evidências incluem:
1. Promover um estilo de vida natural e encorajar o exercício ao ar livre (que tem um efeito protetor significativo contra alergias) e o controle de peso.
2. Reduzir a exposição do animal à poluição e eliminar o tabagismo passivo (e os resíduos tóxicos do fumo de terceira mão) no ambiente doméstico.
3. Minimizar o estresse do animal, reconhecendo que os níveis de estresse de longo prazo podem ser sincronizados com os dos responsáveis. O estresse pode diminuir o limiar dos sinais clínicos da doença atópica.
4. Utilizar antibióticos com moderação (prescrição responsável), pois podem desequilibrar o microbioma.
5. Considerar a dieta: Embora as evidências sejam parcialmente conflitantes, estudos sugerem que alimentar as cadelas durante a lactação com produtos não comerciais e fornecer dietas não processadas (como carnes cruas de órgãos, alimentação cozida natural e suplementos de óleo de peixe, com menos de 80% da dieta de ração seca) na fase de filhote pode ter um efeito protetor. Deve-se ter cautela, no entanto, em garantir que dietas caseiras ou cruas sejam equilibradas.
6. Ser cuidadoso com a seleção de produtos tópicos e de limpeza. Recomenda-se priorizar produtos sem ingredientes conhecidos por perturbar a barreira cutânea, como o lauril sulfato de sódio, já que a via epicutânea é a rota mais importante de exposição a alérgenos em cães atópicos.

Texto baseado no artigo: Environmental factors are responsible for the rise of atopic dermatitis in dogs: veterinarians should focus on modifiable influences

 

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