Diversas vitaminas e micronutrientes vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos benéficos em condições inflamatórias da pele, como a dermatite atópica canina (DAC), tanto em modelos de pesquisa quanto em estudos clínicos:
* Vitamina E: Estudos indicam que a vitamina E pode melhorar o prurido em cães com DAC. Ela atua como agente anti-inflamatório e pode também modular a resposta imune em casos de hipersensibilidade. Quando suplementada em conjunto com o tratamento convencional, especialmente ao lado do selênio, acelerou a recuperação clínica de cães com parasitismo externo (sarna, carrapatos, pulgas) que causam dermatites alérgicas. Em crianças, níveis séricos mais altos de vitamina E (alfa-tocoferol) e maior ingestão dietética foram associados à menor incidência de dermatite atópica.
* Vitamina D: A suplementação com vitamina D é conhecida por exercer efeitos imunomoduladores e foi associada à redução de lesões tanto em casos de DAC quanto em Adenite Sebácea (AS). Precisa ter cuidado para não prescrever doses muito altas e levar a efeitos adversos.
* Ácido Fólico (AF): Embora não existam estudos específicos em cães com DAC, modelos em camundongos mostraram que o uso oral de AF promove uma resposta anti-inflamatória ao inibir a proliferação de células T. Isso reduziu o edema auricular, a infiltração de células T, a produção de citocinas relacionadas (IL-9, IL-17, IL-4, IL-13), os níveis séricos de IgE e a infiltração de células B. Em humanos, maior ingestão de ácido fólico — inclusive por gestantes — foi associada a uma redução significativa (até 80%) no risco de dermatite atópica em seus filhos.
* Vitamina A (Retinol) e Beta-caroteno: Esses nutrientes antioxidantes podem combater o estresse oxidativo e inibir respostas inflamatórias. Estudos em crianças mostraram que maiores níveis séricos de retinol, beta-caroteno e alfa-tocoferol estavam relacionados à menor incidência de dermatite atópica.
* Selênio: Essencial no sistema antioxidante, integra a enzima glutationa peroxidase (GPx). Sua suplementação com vitamina E acelerou a recuperação clínica em cães com dermatite induzida por parasitas externos.
* Ferro: Necessário para várias funções celulares e imunológicas. Em humanos, a dermatite atópica está ligada a disfunções no metabolismo do ferro e a uma deficiência funcional. Estudos mostraram que mães suplementadas com ferro e ácido fólico tiveram filhos com menor risco de desenvolver DAC. Em cães alérgicos, observou-se níveis séricos de ferro mais elevados que em cães saudáveis, mas associados a marcadores inflamatórios, sugerindo uma interação complexa, possivelmente influenciada por tratamentos imunossupressores.
Avaliação de Vitaminas e Micronutrientes em Pesquisas
Estudos avaliando níveis séricos e plasmáticos de vitaminas A, C, E e beta-caroteno em humanos e parâmetros de ferro em cães com DAC revelaram associações entre maior status nutricional e menor risco ou gravidade da dermatite. Também foram analisados biomarcadores de estresse oxidativo em cães com dermatites parasitárias, como SOD, GPx, catalase e MDA. Apesar desses dados, os estudos não recomendam a dosagem rotineira dessas vitaminas no sangue para o diagnóstico ou manejo clínico da DAC.
Considerações sobre Suplementação Dietética
Com base nas evidências atuais, diversos micronutrientes podem oferecer suporte complementar à saúde da pele canina e ao manejo da DAC:
* Vitamina E e Selênio demonstraram acelerar a recuperação clínica em casos de dermatite.
* Vitamina D possui efeitos imunomoduladores e reduz lesões.
* Ácido fólico, vitamina A e beta-caroteno mostraram benefícios em modelos animais e humanos.
* O ferro, embora com papel complexo, está envolvido na regulação imunológica e pode impactar o quadro inflamatório.
Em resumo, mesmo que mais estudos sejam necessários para validar rotinas terapêuticas específicas, a literatura indica que vitaminas como E, D, A, ácido fólico e minerais como selênio e ferro podem apoiar o tratamento de condições inflamatórias cutâneas como a dermatite atópica canina, especialmente por seus efeitos antioxidantes e imunomoduladores.

Fernando Bittencourt Luciano
Farmacêutico e doutor em Ciências dos Alimentos, com uma trajetória que une ciência, inovação e empreendedorismo. Atualmente, é professor no Programa de Pós Graduação em Ciência Animal PUCPR e sócio na Wesen Green. Sua pesquisa é voltada para o uso de compostos naturais com ação antimicrobiana e anti-inflamatória, buscando desenvolver soluções inovadoras e seguras para promover a saúde e o bem-estar de cães e gatos.



